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15 livros sobre a cidade de São Paulo

Obras analisam características históricas e socioculturais da metrópole, além de reflexões sobre diversos aspectos da capital

Por Danilo Moreira

No dia 25 de janeiro, a maior cidade do País completa mais um ano de vida. Com mais de 11 milhões de habitantes – número superior à população de diversos países – a metrópole reúne uma riquíssima história, uma grande diversidade cultural e gastronômica, além de outros aspectos importantes que ilustram a pluraridade característica do local.

Para celebrar a data, a Gênio Criador Editora reuniu algumas dicas de livros que ajudam a entender por que essa imensa cidade, com seus superlativos, belezas e problemas, é o que é. São obras acadêmicas e literárias que abordam sobre fatores históricos, a diversidade étnica, aspectos culturais, humanos e sociais, entre outras curiosidades da metrópole.

Veja mais a seguir:

1 – A capital da solidão, de Roberto Pompeu de Toledo

O livro é o resultado de um trabalho minucioso de pesquisa realizado do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, que durante quatro anos investigou e realizou estudos para reconstituir a história de São Paulo, desde quando era uma simples vila até se tornar um cobiçado destino de imigrantes em 1900. Por meio de uma narrativa que busca envolver o leitor, o pesquisador aborda sobre diversos momentos importantes da trajetória da cidade, dificuldades e problemas sociais vividos pelos habitantes, além de diversas curiosidades. Além do conteúdo escrito, “A capital da solidão” também conta com um rico e belíssimo acervo iconográfico, composto por fotos, mapas e gravuras. É um registro importante para quem deseja conhecer os primeiros séculos da capital.

2 – A capital da vertigem, de Roberto Pompeu de Toledo

Assim como em “A capital da solidão”, a obra é uma continuação do estudo realizado pelo jornalista sobre a história da cidade de São Paulo. Nesse livro, agora partindo de 1900, o autor conta sobre a grande transformação em metrópole até 1954, quando a capital completou 400 anos, lembrando nomes que marcaram a história local, como Washington Luís, Prestes Maia, Francisco Matarazzo, Mário de Andrade, entre outras personalidades. Fatos históricos marcantes como a Semana de Arte Moderna, a epidemia de gripe espanhola nos primeiros anos do século XX e a Revolução de 1924, também são mencionados. Assim como “A capital da solidão”, a sequência também possui um rico acervo repleto de fotos, mapas e ilustrações.

3 – Vida Cotidiana em São Paulo no Século XIX, de Carlos Eugenio Marcondes de Moura (org.)

O livro traz olhares cotidianos de uma São Paulo do século XIX, quando o local vivia a transição de uma vila interiorana a uma terra próspera em decorrência da expansão da economia do café. A obra apresenta diversos escritos, com depoimentos, memórias, peças de teatro, evocações, relatos e outros registros importantes que permitem ao leitor reconstituir como era a cidade naquele tempo. Nesses documentos, cujos autores são oriundos de diversas origens, há uma visão abrangente do cotidiano da época. A coletânea conta com textos de figuras históricas como Dona Maria Paes de Barros, o Diário de Princesa Isabel e Aluísio de Almeida – comentados por especialistas. “Vida Cotidiana em São Paulo no Século XIX” também conta com um acervo iconográfico composto por ilustrações de viajantes que estiveram na cidade durante aquele tempo.

4 – Retrato em branco e negro, de Lilia Moritz Schwarcz

Ao falar da história de São Paulo, é comum que especialistas mencionem personagens da aristocracia e outras personalidades de classes mais abastadas. Já nesse livro, lançado em 1987, a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz chama a atenção para como a população negra paulistana era vista pela elite branca da cidade entre 1870 e 1890, período que a escravidão começa a ser abolida oficialmente e transformações dessa população afrodescendente são vistas pela branquitude com olhares cujos registros deixam preconceitos à mostra. A autora embasa seu estudo por meio de publicações da imprensa desse período, como notícias, editoriais, obituários, “ocorrências policiais” e anúncios, que exibem as várias visões sobre a condição negra.

5 – Alguma coisa acontece..., de Herbert Carvalho

Nesse livro, fruto da pesquisa do jornalista Herbert Carvalho, São Paulo têm sua história contada por meio do depoimento de 22 personalidades que ajudaram a construir a cidade e se tornaram referência histórica – e que hoje estampam o nome de edifícios e logradouros locais. Nesses relatos, essas personalidades falam de recordações marcantes, citam pessoas e locais que conheceram, a vida cultural e aspectos locais, além de contarem sobre suas trajetórias de vida.

6 – Saudades de São Paulo, de Claude Lévi-Strauss

O famoso antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009) chegou a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP) durante os anos 1930. O professor viveu na capital paulista entre 1935 e 1937. Observador, durante as tardes, o docente gostava de percorrer a cidade fazendo fotografias. Sessenta anos depois, decidiu utilizar seu olhar antropológico e revisitar esse material para criar um depoimento memorável. Segundo ele, a capital funciona “como um texto que, para compreender, é preciso saber ler e analisar”, e o resultado é um importante relato sobre a terra da garoa por um dos um dos maiores pensadores do século XX.

7 – Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado

Clássico da literatura nacional e até hoje leitura obrigatória em vestibulares renomados, o livro do escritor Alcântara Machado (1901-1935), cujo nome atualmente estampa uma das mais importantes avenidas da zona leste da capital, reúne contos que retratam o cotidiano da São Paulo no começo do século XX, época em que a cidade passou a receber muitos imigrantes, em especial italianos, que se hospedavam em bairros proletários como Brás, Bexiga e Barra Funda, retratados no livro. Na obra, encontramos o choque de culturas, presentes inclusive na mistura dos idiomas nas falas dos personagens, e típicos personagens da época, como crianças brincando nas ruas, amores adolescentes, a rivalidade Palmeiras (quando se chamava Palestra Itália) X Corinthians, entre outras figuras comuns daquele tempo.

8 – São Paulo nos primeiros anos: 1554-1601, de Afonso d’Escragnolle Taunay

O livro conta sobre uma São Paulo que ainda era uma pequena vila humilde do Planalto de Piratininga. Taunay narra sobre a vida precária e difícil que levaram os primeiros moradores da futura metrópole, tendo como referência histórica as Atas da Câmara Municipal. Nesses documentos estão relatados casos que envolviam segurança, problemas de infraestrutura e economia, entre outras curiosidades, mostrando os desafios enfrentados por quem habitava o local naquele tempo. O estudo foi publicado pela primeira vez em 1920 pelo historiador catarinense Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958), que chegou a ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras em 1929. Em 2003, a editora Paz e Terra publicou uma nova edição, disponível atualmente em portais como o Estante Virtual.

Avenida Paulista Início do Sec. XX

9 – Os caminhos da riqueza dos paulistanos na primeira metade do oitocentos, de Maria Lucília Viveiros Araújo

Tese de doutorado da historiadora Maria Lucília Viveiros Araújo, foi publicado em livro pela Hucitec Editora em 2003. “Os caminhos da riqueza dos paulistanos na primeira metade dos oitocentos” faz uma análise das estratégias de ascensão social das primeiras gerações de paulistas no século XIX, abordando sobre a concentração de capitais, o que compunha a riqueza das poucas famílias privilegiadas da época e de que forma influenciavam a economia local. Para chegar ao estudo, a autora analisou uma amostra de 165 inventários e antigos recenseamentos do período. Um fator interessante do livro é que Maria compara esses dados do levantamento que fez com índices recentes, ajudando a compreender aspectos socioeconômicos dos antigos burgueses paulistanos que influenciam até hoje a exclusão social.

10 – Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo, de Virgínia Leone Bicudo

Dissertação de mestrado da socióloga e psicanalista Virgínia Leone Bicudo (1910-2003) realizado em 1945, a obra, organizada por Marcos Chor Maio, foi publicada em 2010, ano que Virgínia completaria 100 anos. O livro aborda sobre movimentos negros na capital durante o século XX. A autora utilizou de estudos de caso, realizou entrevistas e analisou a documentação de dois importantes símbolos da luta da população negra na capital paulista: da Frente Negra Brasileira (FNB), movimento negro político que atuou entre 1931 e 1937; e do jornal A Voz da Raça, pertencente à FNB, com edições publicadas entre 1933 e 1937. A autora apresenta um estudo dividindo a população em classes, representadas por negros, mulatos e brancos, que vivem em um mundo marcado pela desigualdade, conflitos, mobilidade social, preconceito e discriminação racial. Uma curiosidade: Virgínia foi uma das primeiras acadêmicas brasileiras com origem negra e fez história na sociologia e psicanálise.

11 – Os indígenas do planalto paulista nas crônicas quinhentistas e seiscentistas, de Benedito Prezia

Esse estudo do historiador Benedito Prezia discorre sobre as características da população indígena existente em São Paulo nos primeiros anos da colonização. Durante muito tempo, historiadores e linguistas divergiram sobre a origem tupi dos índios do Planalto de Piratininga e quais outros tipos de grupos predominantes nas proximidades da região na época. O autor analisa escritos de cronistas e missionários dos séculos XVI e XVII e disserta sobre os povos Guaianá/Guaianá do Sul, os Maromomi (conhecidos como “Guarulho”), além de aspectos do grupo Tupi/Tupinikim, trazendo curiosidades sobre a origem dos povos nativos da capital.

12 – Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato

Publicado em 2001 pelo escritor Luiz Ruffato, “Eles eram muito cavalos” é um livro dividido em 70 pequenos textos, e que tem como objetivo retratar o perfil multifacetado e caótico de São Paulo por meio de fragmentos cotidianos. As histórias se passam no mesmo dia e, ainda que não sejam interligadas, mostram diversos personagens que fazem parte da metrópole que “vive sempre correndo”, na pele de motoristas de táxi, vendedores ambulantes, assaltantes, pedintes, pastores, entre outros tipos comuns, que mostram a diversidade na paisagem humana da capital e o que essa característica diz sobre a cidade.

13 – Rotas Literárias de São Paulo, de Goimar Dantas

A escritora, jornalista e roteirista Goimar Dantas aborda o lado literário efervescente da capital paulista nesse livro. A autora mostra um dossiê interessante sobre esse potencial da cidade por meio de 21 rotas, que passam por locais que remetem à literatura, como pontos históricos, que foram cenários de obras famosas ou mesmo livrarias badaladas. Os trajetos descritos são recheados de histórias locais, casos curiosos e fotografias. Além disso, há diversas entrevistas com escritores, livreiros, editores, críticos literários e especialistas culturais que integram o cenário literário paulista. É um prato cheio para quem deseja conhecer, visitar e explorar São Paulo pelo viés da literatura.

14 – Conte sua história de São Paulo, de Mílton Jung

O jornalista Mílton Jung reuniu neste livro, que leva o nome do quadro da rádio CBN, textos sutis e curiosos de paulistanos que vivem em diversos bairros de São Paulo, tanto nobres, como a Vila Mariana; os tradicionais, como o Bixiga; e periféricos, a exemplo do Campo Limpo, mostrando como a cidade possui diferentes realidades e visões. São 110 escritos separados em doze capítulos, que mostram como o cidadão lida com as várias faces da cidade, seus problemas, belezas, tristezas e a diversidade, mostrando um rico cenário humano para quem gosta de enxergar a capital nas suas entrelinhas.

15 – São Paulo, literalmente, de João Correia Filho

O jornalista e fotógrafo João Correia Filho apresenta esse guia turístico (e apaixonado) sobre a cidade de São Paulo, dividido em regiões e bairros. O autor contando um pouco sobre cada bairro, passando por ruas, edifícios, museus, entre outros pontos, decorando-os com poesias e frases de autores clássicos e contemporâneos que já retrataram os locais e deixaram a sua marca, proporcionando ao leitor um delicioso passeio pela capital, repleto de memórias e curiosidades. O livro ganhou o Prêmio Jabuti 2012 na categoria Turismo.

Essa lista é uma pequena contribuição da Gênio Criador Editora em homenagem aos 465 anos de São Paulo, uma metrópole que, apesar de seus problemas de cidade grande e desigual, carrega uma história fascinante e uma diversidade que deve ser apreciada das melhores formas.

Parabéns, terra da garoa!

Com informações de: BuzzFeed, Blog da Companhia das Letras, Guia da Semana, Beco Literário, Página Cinco, Prefeitura de SP

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